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domingo, 10 de novembro de 2013

A casa sem janelas

“O homem nas capitais pertence à sua casa, ou se o impelem fortes tendências de sociabilidade, ao seu bairro. Tudo o isola e o separa da restante natureza—os prédios obstrutores de seis andares, a fumaça das chaminés, o rolar moroso e grosso dos ónibus, a trama encarceradora da vida urbana...”

Trecho de: Jose Maria Eca de Queiros. “Contos.” iBooks. 
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Ah... Mais de cem anos se passaram, desde que Eça de Queirós escreveu este conto e hoje em São Paulo os homens estão cada vez mais isolados. Socializando preferencialmente sem contato físico, só virtual. A janela para o mundo vem de uma tela de LCD e a boa e velha janela de madeira, de onde se vê a rua, foi coberta com uma camada grossa de cimento, deixando toda a realidade do lado de fora.

Avistar essa casa sem janela me lembrou de uma conversa e de sentimentos confusos...

...E ele disse: - é difícil, sentir-se vulnerável... E naquele momento eu me senti sozinha no mundo, mais solitário que o ultimo dos Buendía desvendando sua própria morte.

Como uma palavra pode definir tão bem o que eu estou sentindo? Por algum tempo ficamos ali, nos olhando, despidos de qualquer pudor. Depois desejamos que existisse um "ácido bucólico" e nos transportasse para longe. Num lugar de relógios quebrados e campos de lavanda, onde os cachos poderiam crescer livres do secador e da chapinha.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Carolina

Dona Carolina Augusta, fora a progenitora de Eça de Queirós, sendo possuída por um amor avassalador, se entregou a um homem que não foi aceito por sua família. Seu filho Eça nasceu bastardo, e desse relacionamento efêmero entre mãe e filho, nasceu no menino a urgência de escrever.
Contudo, hoje venho aqui, não para escrever sobre esta Carolina, e sim sua corruptela franco-germânica. Uma mulher, suave como um anjo, de beleza que transcende o mundo dos homens, eu a vejo pela janela e quase me sufoca esse amor.
Não amo a mulher, amo a Deusa que habita essa janela, sou devota, eu a contemplo de longe, não posso deixar que me descubra, meu coração salta dentro do peito! Tenho certeza que serei descoberta! E agora? Onde me esconder? Me escondo sempre atras da janela e nos de chuva, quando encontro a janela fechada, fico a ponto de enlouquecer procurando uma fresta, só para ver seus cabelos, seus longos cabelos vermelhos; refletidos no espelho da penteadeira do quarto.
Oh doce Carolina, com sua presença tão imponente, nem sabe da minha existência, nem poeta sou para lhe fazer uns versos. Mas meu amor por ti permanece, eternamente serei escravo da sua beleza.